segunda-feira, 12 de abril de 2010

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Como uma mãe consegue quebrar seus próprios paradigmas? Edith Modesto foi a fundo no assunto. Ao saber que um dos seus sete filhos é gay, a escritora passou a viver um drama pessoal. Romper com conceitos e valores de uma criação “à moda antiga”, associados ao desconhecimento do assunto homossexualidade, só foi possível após uma profunda imersão nesse universo ainda permeado pela ignorância e preconceito, afinal, a felicidade de seu filho estava em jogo.

Em sua busca pela aceitação, Edith Modesto conheceu outras famílias com dificuldades para compreender a orientação sexual de seus filhos e resolveu ajudá-las a partir de sua própria experiência. A primeira iniciativa foi criar um grupo virtual para discussão do assunto. Hoje são mais de 60 pais e mães, que também se reúnem presencialmente de tempos em tempos. A inquieta mãe ainda foi além. Levantou a bandeira da militância e estreitou relacionamento com ícones homossexuais, iniciando assim uma extensa pesquisa comportamental. O resultado é a obra Vida em Arco-Iris. Segue informações abaixo:

Professora universitária dá voz à população gay brasileira
Edith Modesto, mãe de um homossexual e fundadora e coordenadora do primeiro “Grupo de Pais de Homossexuais” do Brasil, reúne depoimentos de 89 gays e lésbicas brasileiros em livro documentário

"Vidas em arco-íris – Depoimentos sobre a homossexualidade", de Edith Modesto. Publicado pela editora Record, é a primeira obra do gênero no Brasil, baseada em relatos de 89 homens e mulheres homossexuais entre 14 e 62 anos. Trata-se de um trabalho inédito que busca reformular o conceito de homossexualidade junto ao grande público e à própria comunidade gay, ao mostrar como vivem, pensam e sentem essas pessoas.

Entre os entrevistados, destacam-se personagens de expressão no jornalismo, na música e nas artes, lado a lado com anônimos, inclusive aqueles que ainda “não saíram do armário” e preferem não ter suas identidades reveladas. A obra retrata histórias pessoais dos entrevistados e aborda diversos assuntos, como auto-aceitação, relacionamento familiar, relacionamentos afetivos (namoro, casamento), sexo, filhos, DSTs, drogas, religião e militância, entre outros.

A publicação, conta com o apoio de expressiva parte da militância brasileira, também aborda a posição do Brasil em relação aos homossexuais e a defesa de seus direitos, além da Parada do Orgulho Gay. A apresentação fica por conta de Vange Leonel, militante gay, cantora e colunista da Folha de São Paulo.

“Esse trabalho não tem nenhuma pretensão acadêmica”, explica a autora. “Minha intenção foi aproximar o público da realidade dos homossexuais, mostrando o que eles sentem no convívio social e consigo mesmos, o que pensam, do que gostam, o que almejam. O livro não trata somente da sexualidade, parte importante do ser humano, mas de gente, por inteiro.”

Sobre a autora
Edith Modesto, paulistana de 68 anos, mestra e doutoranda em Semiótica pela Universidade de São Paulo, é professora universitária e autora de mais de 10 livros infanto-juvenis publicados por importantes editoras brasileiras, além de outros que tratam de homossexualidade em seus vários aspectos. A escritora também tem artigos e entrevistas publicados em diversos veículos da mídia nacional. Mãe de sete filhos, um deles homossexual, em 1997 Edith fundou e coordena o Primeiro Grupo de Pais de Homossexuais do Brasil, http://gph.org.br que conta, atualmente, com 54 pais e mães.

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